Estava confuso quando entrou ao pátio daquele aeroporto. Todos ali pareciam saber muito bem para onde estavam indo ou aonde estavam chegando. Ele não. Não restavam dúvidas, naquele local ele era o único que não sabia ao certo sequer o seu próprio nome. Podia ser um simples João ou um misterioso Don Juan, não fazia diferença. Na verdade, aquilo pouco importava para ele. Haviam coisas mais importantes com que se preocupar, pensava. Naqueles últimos tempos só sentia que algo não estava bem. Não com o mundo, mas com ele próprio. Algo que era só dele e que só ele podia mudar. Algo que ninguém imaginava que ele sentia. Ele foi sempre tão hm... perfeitinho aos olhos externos. Mas, apesar do mundo achar que não, ele sabia que algo não estava certo. Não podia ser assim. Disso ele não tinha dúvida alguma.
Enquanto a tempestade parecia gostar de ficar sobre sua cabeça, ele lembrou que a alguns dias havia andado por dunas e notado como elas são nômades. Aquilo lhe havia chamado a atenção. Percebeu que elas não guiam, mas, ao contrário, são guiadas. Sem lutar, sem resistir, sem entrar na quebra-de-braço com o fato, naquele caso. Apenas se deixando levar pelo vento. É inegável, entendeu que a sensação de perder o controle causa um certo desconforto. Talvez a solução esteja justamente em soltar um pouco as rédeas e apenas se deixar levar. Ele decidiu pagar pra ver.

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