Pela janela, ele estava olhando aquele trânsito caótico. Todo dia era a mesma coisa. Centenas, milhares, milhões de carros passavam por sua janela. Buzinas, fechadas, mais buzinas e palavrões ao léu. Ainda tomando um gole de café, voltou a sentir aquela sensação que vinha de dentro do seu espírito, e que parecia se alojar em sua espinha servical , deixando-o pleno – completamente pleno. Ele sabia, tinha que mudar o mundo. Sentia que se havia um porquê dele existir, era para mudar o mundo. Estava convicto, definitivamente. Sempre que via alguém jogando a embalagem do chiclete pela janela do ônibus, não hesitava e ia tirar satisfação com a criatura que havia sido capaz de tamanha bárbarie. Se via uma pessoa cortando uma árvore, à noite não conseguia dormir. Como dizem, sentia dor alheia. Realmente não entendia porque as pessoas não podiam ser iguais a ele. Não melhores, simplesmente iguais. Acreditava que se assim fosse, o mundo estaria salvo. Seu maior defeito era o perfeccionismo, respondia rápido sempre que lhe perguntavam. Era um crítico perfeito, já que tinha uma queda especial por filosofia. Os dedos mais lhe serviam para apontar defeitos do que para acariciar virtudes. Perdia mais tempo julgando do que fazendo, imaginando do que arriscando. Era inteligente, bonito e parecia sempre auto-confiante. Todas as noites pedia a Deus que as pessoas mudassem; mas esquecia-se de começar a mudança em si mesmo.
sexta-feira, 13 de março de 2009
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