
"Compreendemos mais por Intuição do que por raciocínio."
Jaime Balmes
Analisando os elementos constitutivos do intelecto vemos ser ele composto basicamente por nove condições: percepção, sensação, atenção, associação, memória, imaginação, conceitos e razão.
Por meio de uma análise sucinta dos elementos do intelecto torna-se evidente que existe uma imensa interdependência entre eles. Por exemplo, a sensação depende da percepção, e essa depende da atenção, e mesmo da imaginação e que, por sua vez, dependem da memória, e assim por diante.
Quando se analisam os elementos integrativos do intelecto chega-se à conclusão da existência de uma imensa interdependência de um elemento sobre o outro, e isso atinge um nível tal que parece até difícil dizer-se que se tratam de coisas separadas. Mas, consideramos válida essa classificação da psicologia mais pelo seu valor teórico e prático do que mesmo por tratar-se de coisas que devan ser consideradas separadas e individualizadas. Tudo aquilo que se fizer presente num desses elementos reflete-se nos demais e a partir disso já se pode tirar uma conclusão: se as percepções são falhas, todos os demais componentes do intelecto também o são, exatamente em decorrência dessa interdependência existente entre eles.
Como se deve proceder para se desvencilhar do emarannhado de complexdidade da imanência? Primeiro a pessoa deve compreender que existem duas coisas que muitos confundem e que são: Intenção e Intuição. Deve aprender a separar as duas condições uma da outra, e assim estabelecer o abismo de diferenças existentes entre elas.
É vital se compreender um tanto o que vem a ser a Intuição, saber que ela veicula registro da Consciência e não da memória. A Consciência é a existência em si, é o plano do Inefável em que tudo está implícito. Desse modo vale aprender a se fazer uso tanto quanto possível dos valores veiculados por ela e dessa forma efetivar uma transmutação da memória, deixando que se amplie o canal da Consciência em detrimento ao canal do pensamento.
Tudo aquilo que a quase totalidade das pessoas considera o existir no mundo real evidentemente faz parte da memória e não da Consciência. Quase todas as condições do existir, conforme são percebidas pelo espírito estão registradas na memória, e assim sendo, a mesma serve de fonte de abastecimento dos pensamentos. Na memória também existem os registros da consciência veiculados pela intuição, e sendo assim vale o bom discenimento para separar uma coisa da outra.
Pelo discernimento processa-se a transmutação pessoal, pois na medida em que os dados intuitivos vêm se ampliando, os dados do mundo diáletico, deste plano, vão se esvaindo, e isso é o que consiste o "clarear da consciência".
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Trechos de A Mente, de José Laércio do Egito.

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